Como ter o corpo perfeito

corpo

Se me lembro bem, toda essa questão de auto estima a busca pelo corpo perfeito está presente na minha vida desde que eu tinha uns treze anos de idade. Justamente na época em que decidi que queria emagrecer, proeza que seria capaz de fazer eu me sentir confiante o suficiente para usar vestido tomara que caia na minha festa de quinze anos – acho importante dizer que, até o presente momento da criação desse post, ainda sou super insegura com qualquer roupa que deixe meus braços à mostra.

Ter o corpo perfeito, na minha cabeça, consistia em ter um corpo estilo panicat (o que fazia muito sentido na época, quando o Pânico vivia seus anos dourados): cintura fina, barriga chapada, bumbum empinado (grande) e durinho, coxas saradas/rasgadas e, claro, braços que não balançavam. 

Hoje, estou vivendo o momento mais legal que já tive com meu corpo (até agora). Me sinto confiante como nunca estive, mesmo que existam dias onde não goste do que vejo no espelho, visto as roupas que gosto e me sinto realmente bonita. Mas ainda não tenho um corpo de panicat

Me sinto bonita, confiante, visto as coisas que gosto e não tenho um corpo perfeito. Uau. Isso realmente é possível, ou eu só tô criando uma situação hipotética para te prender nesse post? 

Odeio o meu corpo

Eu costumava ter um passatempo super divertido toda vez que ia me arrumar para sair. Ele se chamava ACHE O MÁXIMO DE DEFEITOS NO SEU CORPO NOS PRÓXIMOS 10 MINUTOS. 1, 2, 3 e… VAI!

Esse gif acabou de aparecer no outro post, mas é real demais para não colocar aqui outra vez (e, c'mon... Meninas Malvadas)  

Os defeitos mais cotados eram meus braços, a interna das minhas coxas, a raiz do meu cabelo, as bolsas em baixo dos meus olhos, meus quadris… É, acho que esse era meu TOP 5 pessoal.

Não preciso nem dizer que na maioria das vezes onde eu precisava me arrumar para algum evento importante, rolava um ataque absurdo de choro, roupas jogadas no chão, raiva (de mim mesma, por mim mesma) e muita vergonha. 

Sim, vergonha! Vergonha por ter “cedido às tentações” e ter feito o meu corpo ficar daquele jeito. Claro, porque todas aquelas mulheres que eu admirava e seguia no Instagram eram fortes e não cediam à essas tentações. Elas eram fortes, guerreiras, incríveis, focadas! Enquanto eu era fraca, sem foco, um verdadeiro fracasso. 

Todos esses pensamentos super saudáveis e funcionais desencadearam uma série de comportamentos que juntos contribuíram para o desenvolvimento de uma compulsão alimentar, que perdurou por anos. Mas acho que você já sabe dessa história, né?

Como ter corpo de panicat

Mesmo depois que eu passei pelo tratamento, mudei minhas referências e comecei a investir conscientemente na minha auto estima e no modo como eu me enxergava, esses eventos continuavam a acontecer. Numa frequência bem menor mas, ainda assim, continuavam acontecendo.

O mais engraçado era saber que, mesmo que esses defeitos não me definissem (nisso digo, minha capacidade intelectual, minha personalidade, meus sonhos, etc), focar neles sugava minha energia de uma maneira absurda!

A constatação de que o meu corpo não era perfeito (aka panicat) era o que dominava todos os meus pensamentos quando eu estava no meio de um treino, preparando o meu jantar ou em uma festa com meus amigos.

Eu não conseguia me divertir treinando, nem curtir o fato de poder cozinhar algo gostoso, muito menos aproveitar meus amigos num dia legal. A minha cabeça estava sempre dividida entre “se eu comer isso, nunca vou ter as coxas que eu quero” e viver aquele momento.

Não… isso não podia ser saudável. As dezenas de horas sentadas em frente uma psicóloga, falando sobre os pensamentos que cruzavam a minha mente, me treinaram para entender quando algum comportamento passa a ser disfuncional e prejudicial. E esse, com certeza absoluta, se encaixava nessas definições.

Como ter um corpo lindo

O que é um corpo perfeito para você? Em quem você pensa quando está comendo, ou deixando de comer? Quando está malhando, ou deixando de malhar? Quando se olha no espelho do provador e a roupa não fica boa?

Todos nós temos padrões, referências e inspirações. Mas como isso se aplica à forma como enxergamos o nosso corpo? Muitas vezes as críticas mais pesadas e difíceis de ouvir são as que a gente faz dentro da nossa própria cabeça [e preciso fazer jabá desse meu tuíte, já que ele faz todo sentido do mundo no ponto onde quero chegar].

Mas ficarmos completamente obsessivas e guiarmos nossas decisões pelas coisas “erradas” que encontramos nos nossos corpos é um jeito horrível de viver (concordam?).

E, (voltando para minha jornada) agora que estava aprendendo a me amar mais (já tendo entendido todos os eventos, comportamentos e pessoas que me fizeram ter – por tanto tempo – um relacionamento tão estranho comigo mesma), esse tipo de atitude não fazia muito sentido.

Foi aí que resolvi fazer um trato comigo mesma: eu não ia mais apontar defeitos no meu corpo.

Parece completamente utópico, eu sei, mas acompanha só meu raciocínio: se a maioria das críticas destrutivas que rolam quanto aos pequenos e grandes defeitos do nosso corpo partem, 99% das vezes, de dentro da nossa cabeça (baseado no que achamos ser o corpo perfeito)… o que acontece quando a gente passa a ignorar essas críticas? Exatamente, elas vão perdendo o impacto.

Da primeira vez foi quase impossível desfocar o olhar da interna da minha coxa, da terceira eu já olhei como minha cintura era definida, na quinta eu já fiz uma cara de “ok, tranquilo”.

É claro que isso me incomoda e é obvio que, se eu pudesse, faria um pedido para fada madrinha diminuir 3cm na interna das minhas coxas. Mas eu não deixo isso ganhar o centro dos meus pensamentos.

Eu treino porque adoro Crossfit e como ele me faz sentir confiante. Eu como de forma saudável porque amo como fico mais ativa, feliz, me sentindo mais bonita e com a pele melhor quando me alimento de maneira balanceada. E se eu tô numa festa com meus amigos, o que tem um aproveitar a mini feijoada servida no jantar, caramba?

Como amar o seu corpo

A gente precisa aprender que amar o nosso corpo não tem a ver com não malhar, não fazer dieta ou não emagrecer. Amar o seu corpo significa fazer (ou não fazer) todas essas coisas porque você QUER! Fazer as coisas que te fazem sentir bem com você mesma.

É fazer, ou deixar de fazer, as coisas pelos motivos certos. Não é se matar na academia para ficar com o corpo da Pugliesi, é se matar na academia para ficar com a melhor versão possível do SEU corpo. A diferença é muito sútil, mas é libertadora.

Sempre vamos encontrar defeitos e coisas que gostaríamos de mudar no nosso corpo, mas isso não pode dominar e ditar nossos pensamentos e ações. Não torne seus fardos mais pesados do que eles realmente são. Aprenda a reconhecer e deixar para lá. Não se torne obsessivo com as críticas destrutivas que você mesmo faz.

Ainda existem dias onde eu deixo de vestir uma roupa por vergonha dos meus braços, mas eles vem diminuindo. Vez ou outra eu ainda me pego parada em frente ao espelho, olhando para as minhas coxas e como elas ficariam sendo 4 cm menores. Mas aí me dou um “acorda para vida” e vou fazer outra coisa.

Eu não sei o que te faz ficar obsessiva com o seu corpo, mas sei que você é completamente capaz de superar esses pensamentos. Existe vida além do espelho e a melhor parte é que ela é de verdade.

E por aí, você também tem uma ideia de corpo perfeito ou já ficou obsessiva por algo que gostaria de mudar no seu corpo? Diz o que achou do post e compartilha sua história aí em baixo, conhecer outras histórias é importante para o processo. ♥

 
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