Mentirosa

As vezes me enxergo como uma caçadora de tesouros dentro das pessoas. Capaz de encontrar nelas o que se tem de mais puro, notável e sublime. Aquele algo nunca encontrado por ninguém. Sou a predestinada, escolhida para trazer à luz o até então escondido. Tudo estava sendo guardado, para mim.

E então sofro quando minhas histórias saem do rumo. As pessoas parecem ter medo de serem desbravadas. Acabo entrando em áreas proibidas, ultrapassando limites do quais nem sabia da existência. Aí me ferro, outra vez, mais uma vez. Tornando constante o momento no qual me prendo: não reciprocidade de sentimentos, pensamentos e planos.

Sou uma sonhadora que vive implorando para os outros entrarem no meu sonho e o viverem comigo. Pedindo para serem os personagens da historinha na esperança de torna-la realidade. Sei lá, brincar um pouco de faz de conta me faria bem.

Preciso parar de criar realidades. Idealizar pessoas. Forjar sentimentos. Há muito tempo não sei como me sinto de verdade. Sou uma mentirosa. Minto tão bem que até eu mesma acredito. Acredito ser feliz, estar amando e com um sorriso falso tomando conta dos lábios proclamo: tudo nessa vida tem um jeito.

Gostaria de entregar-me completamente para trama de não verdades criadas por mim mesma, mas desconfio ter me tornado tão profissional em acreditar nas histórias inventadas que aprendi a sempre ter um pé atrás. É, eu sei, esse pé vai chutar minha própria bunda.

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PFVR

 

Por favor manhã, deixe as coisas no lugar. Todas as coisas que os raios de Sol insistem em bagunçar. Quando fui dormir bati com a cabeça ainda cheia de problemas no travesseiro mas, quando acordei, eles pareceram inexistentes por uns minutos. Daí chegou a realidade e com ela todos os problemas que eu insisto em criar.

Porque sou dessas. Dessas que vivem algo sem ele nem ao menos existir. Pode ser um amor, uma dor, um desespero ou uma alegria. Crio, invento, fantasio e faço tudo parecer lindo ou horroroso. Nesses primeiros minutos de não lucidez fico encantada com esse mundo paralelo vindo da minha mente, mas depois passa, então fico tentando descobrir o quanto das coisas que penso viver são reais o quanto delas são só eu brincando de inventar.

Sei lá, só queria descansar. De todas as dores – não dos amores – inventadas ou reais. Acordar um dia e ter certeza de que nada é exagerado, nada é demasiado, tudo é palpável e está ali. Se tornar adulto é isso? Deixar de lado todas as fantasias que se cria nessa vida e começar a viver o que essa vida cria da gente?

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Sobre inveja e tinta de cabelo

 

Desde já preciso deixar claro que sofro bullying por achar que inveja é um sentimento bom – se, e somente se, assumido. Querendo ou não, quando invejamos, desejamos algo que não é nosso. E esse desejo exprime admiração pela pessoa possuidora de tal. Logo: se invejamos alguém, consequentemente, admiramos esse alguém. Essa admiração só é convertida no sentimento começado com “in” e terminado com “veja” quando não o assumimos. Aí vem as criticas ácidas, o falar mal, as indiretas via Twitter, as perguntas maldosas no modo anônimo… Olha a beleza da inveja no século XXI! Vamos combinar, não inveja-se o cabelo da menina porque acha-se o cabelo dela feio. Inveja-se o cabelo da menina simplesmente porque ele é maravilhoso, digno de comercial da Pantene.

Mas, voltando ao fato de sofrer bullying por achar isso tudo muito amadurecedor, preciso explicar minha teoria: a partir do momento em que a inveja é assumida, você admite o fato de algo não estar legal, de que alguma coisa precisa ser mudada. Feito isso, passamos à análise da inveja: por que aquela pessoa? O que ela tem que traz à tona esse sentimento ao seu lindo coraçãozinho? Com essas perguntas respondidas, é hora de dar um jeito, virar o jogo e trazer o que se admira na pessoa para si mesmo. É claro que não estou falando de pintar seu cabelo de azul acobreado com nuances de rosa bebê intergaláctico só pela menina que você admira (o ex-ser humano alvo de sua inveja) ter o cabelo assim. Poxa, leve uma foto da moça ao cabeleireiro e se INSPIRE NELA. Inspirar não é copiar. É saber como é o caminho e os motivos de se gostar dele. E não seguir pelo mesmo.

Então inveje! Inveje as melhores pessoas do mundo! E assuma. Assuma a sua inveja! A transforme em uma busca de autoconhecimento, não de tristeza e autodestruição. E, sim, pare de não me compreender quando eu achar a inveja uma coisa bonita.

PS.: Tô procurando tinta azul acobreado com nuances de rosa bebê intergaláctico. Se alguém souber onde vende, favor entrar em contato através do Twitter.

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